Este blog tem por finalidade, homenagear consagrados poetas e escritores e, os notáveis poetas da internet.
A todos nosso carinho e admiração.

Clube de Poetas









terça-feira, 13 de outubro de 2015

PATATIVA DO ASSARÉ

Antônio Gonçalves da Silva
Patativa do Assaré

(1909 - 2002)
 
Patativa do Assaré, Antônio Gonçalves da Silva, nasceu no município de Assaré, interior do Ceará. a  623 km da capital Fortaleza. Filho dos agricultores Padro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva, ainda pequeno ficou cego do olho direito. Órfão de pai aos oito anos de idade, começou a trabalhar no cultivo da terra.
Com pouco acesso à educação, frequentou durante quatro meses sua primeira e única escola onde aprendeu a ler e escrever e se tornou apaixonado pela poesia.
Logo começou a fazer repentes e se apresentar em festas locais. Antônio Gonçalves da Silva  recebeu apelido de Patativa, pois sua poesia era comparada à beleza do canto dessa ave. Aos vinte anos começou a viajar por cidades nordestinas e diversas vezes se apresentou na Rádio Araripe.



Com uma linguagem simples, porém poética, retratava em suas poesias o árido universo da caatinga nordestina e de seu povo sofrido e valente do sertão. Viajou para o Pará, onde ficou cinco meses, fazendo grande sucesso como cantador. De volta ao Ceará continuou a mesma vida de pobre agricultor e cantador.  Sua projeção em todo o Brasil, iniciou-se em 1964 com a gravação de "Triste Partida", toada de sua autoria, cantada por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.
Teve inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais, além de seus livros "Inspiração Nordestina" (1956), "Cantos da Patativa" (1966). Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados em "Patativa de Assaré "(1970).
Ao completar 65 anos foi homenageado com o LP "Patativa de Assaré - 85 anos de Poesia", com a participação das duplas repentistas Ivanildo Vila Nova e Geraldo Amâncio, e Otacílio 
Batista e Oliveira de Panelas. 



Tido como fenômeno da poesia popular nordestina, com sua versificação límpida sobre temas como o homem sertanejo e a luta pela vida, seus livros foram traduzidos em diversos idiomas e tornaram-se temas de estudo na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal, sob a regência do professor Raymond Cantel.
Antônio Gonçalves da Silva, sem audição e cego desde o final dos anos 90, morre em consequência de falência múltipla dos órgãos, no dia 8 de julho de 2002, em sua casa, em Assaré, Ceará, aos 93 anos de idade. 


AUTOBIOGRAFIA
 
Mas porém como a leitura
É a maió diciprina
E veve na treva iscura
Quem seu nome não assina,
Mesmo na lida pesada,
Para uma escola atrasada
Tinha uma parte do dia,
Onde estudei argum mês
Com um veio camponês
Que quase nada sabia.
 
Meu professô era fogo,
Na base do portuguêis,
Catálogo, era catalôgo,
Mas grande favô me faz.
O mesmo que nunca esqueci,
Foi com ele que aprendi
Minhas premêra lição,
Muito a ele tô devendo,
Sai escrevendo e lendo
Mesmo sem pontuação.
 
Depois só fiz meus estudo,
Mas não nos livro de escola
Eu gostava de lê tudo,
Revista, livro e jorná.
Com mais uns tempo prá frente,
Mesmo vagarosamente,
Não errava nenhum nome.
Lia no claro da luz
As pregação de Jesus
E as justiça dos home.
 
** ** **
 
HERANÇA
 
Querida esposa que ouvindo está,
Roubou-lhe o tempo a jovial beleza,
Mas tem o dote da maior nobreza
Sua bondade não se acabará.
 
Morrerei breve, porém Deus lhe dá
Força e coragem com a natureza
De no semblante não mostrar tristeza
Quando sozinha viver por cá.
 
Não tenho terra, gado, nem dinheiro,
Só tenho o galo dono do terreiro
Que a madrugada nunca ele perdeu.
 
Conserva esposa, minha pobre herança,
Seja bem calma, paciente e mansa,
Você não chore, que esse galo é seu.
 
** ** **
 
AMANHÃ
 
Amanhã, ilusão doce e fagueira,
Linda rosa molhada pelo orvalho:
Amanhã, findarei o meu trabalho,
Amanhã, muito cedo, irei à feira.
 
Desta forma, na vida passageira,
Como aquele que vive do baralho,
Um espera a melhora no agasalho
E o outro, a cura feliz de uma cegueira.
 
Com o belo amanhã que ilude a gente,
Cada qual anda alegre e sorridente,
Como quem vai atrás de um talismã.
 
Com o peito repleto de esperança,
Porém, nunca nós temos a lembrança
De que a morte também chega amanhã.
 
** ** **
 
MINHA SERRA
 
Quando o sol nascente se levanta
Espalhando os seus raios sobre a terra,
Entre a mata gentil da minha serra
Em cada galho um passarinho canta.
 
Que bela festa! Que alegria tanta!
E que poesia o verde campo encerra!
O novilho gaiteia, a cabra berra
Tudo saudando a natureza santa.
 
Ante o concerto desta orquestra infinda
Que o Deus dos pobres ao serrano brinda,
Acompanhada da suave aragem.
 
Beijando a choça de feliz caipira,
Sinto brotar da minha rude lira
O tosco verso do cantor selvagem.
 
 
** ** **
 
Eliana (Shir) Ellinger
 

Fontes de Pesquisa:
 
 

terça-feira, 30 de junho de 2015

DANTE MILANO



DANTE MILANO
(1899 - 1991)
 
 
Dante Milano nasceu no Rio de Janeiro, filho do maestro Nicolino Milano e Corina Milano. Ainda na infância, sofre dificuldades financeiras após o pai abandonar a família.
Impedido de cursar o ginásio, Dante torna-se auto-didata e aprende inglês, francês e italiano. Torna-se ajudante de revisor na redação do Jornal da Manhã e, aos 17 anos, revisor da Gazeta de Notícias e foi também funcionário do Juizado de Menores, no Ministério da Justiça. 
Ainda na adolescência, começa a escrever seus primeiros poemas e publicou o primeiro, "Lágrima Negra", em 1920, na revista Selecta. Na época trabalhava como empregado na contabilidade da Ilha das Cobras, RJ. Nos anos de 1930, foi colaborador do suplemento "Autores e Livros", de "A Manhã" e do "Boletim de Ariel".
Em 1935, organizou a "Antologia dos Poetas Modernos", primeira antologia de poetas desta fase.



Seu primeiro livro, "Poesias", foi publicado em 1949 e recebeu o "Prêmio Felipe d'Oliveira" de melhor livro de poesias do ano. Nos anos seguintes trabalhou como tradutor, lançando, em 1953, "Três Cantos do Inferno", de Dante Alighieri.
Em 1979, Dante Milano  publicou seu livro "Poesia e Prosa"  e, em 1988, " Poemas Traduzidos de Baudelaire e Mailarmé". No mesmo ano recebeu o "Prêmio Machado de Assis", concedido pela Academia Brasileira de Letras.




 
Dante Milano é um dos poetas representativos da terceira geração do Modernismo. Para o crítico David Arrigicci Jr., "Milano, como o amigo Bandeira, refletiu muito sobre a morte, casando o pensamento à forma enxuta de seus versos - lírica seca e meditativa, avessa ao fácil artifício, onde o ritmo interior persegue em poemas curtos, com justeza e sem alarde o sentido".



LAGRIMA NEGRA


Aperte fortemente a pena ingrata
entre os dedos nervosos e trementes,
e os versos jorram, claros e estridentes,
n'uma cascata, n'uma catarata!

Escrevo e canto cânticos ardentes,
enquanto dos meus olhos se desata
uma fiada de lágrimas de prata
como um colar de pérolas pendentes...

Eu canto o sofrimento, a ânsia incontida
de amor, que é a maior ânsia desta vida,
vida que a humanidade se condena!

E todo o meu sofrer, todo, se pinta
n'este pingo de dor...pingo de tinta,
lágrima negra que me cai da pena!


** ** **


AO TEMPO


Tempo, vais para trás ou para diante?
O passado carrega a minha vida
Para trás e eu de mim fiquei distante,

Ou existir é urna contínua ida
E eu me persigo nunca me alcançando?
A hora da despedida é a da partida,

A um tempo aproximando e distanciando...
Sem saber de onde vens e aonde irás,
Andando andando andando andando andando-

Tempo, vais para diante ou para trás?


** ** **


DESCOBRIMENTO DA POESIA


Quero escrever sem pensar.
Que um verso consolador
Venha vindo impressentido
Como o princípio do amor.

Quero escrever sem saber,
Sem saber o que dizer,
Quero escrever urna coisa
Que não se possa entender.

Mas que tenha um ar de graça,
De pureza, de inocência,
De doçura na desgraça,
De descanso na inconsciência.

Sinto que a arte já me cansa
E só me resta a esperança
De me esquecer do que sou
E tornar a ser criança.



Eliana (Shir) Ellinger



Fontes de Pesquisa:



XAVIER DE CARVALHO



XAVIER DE CARVALHO
(1871 - 1944) 


Poeta, Inácio Xavier de Carvalho nasceu em São Luís no dia 26 de agosto de 1871. Integrou, juntamente com Antonio Lobo e Fran Paxeco, entre outros, a Oficina dos Novos, movimento de renovação literária empreendido por um grupo de escritores maranhenses no início do século XX.

Não há registros confiáveis sobre sua juventude. Com certeza, sabe-se apenas que estudou Direito em Recife, de onde retornou para o Maranhão. Exerceu cargos como o de promotor público, juiz municipal e professor de literatura no Liceu Maranhense. Colaborador assíduo dos jornais de sua época, deixou escritos dispersos no Pará, Amazonas e Maranhão, tendo publicado pouca coisa em livro.

Em 1893, com a idade de 23 anos, lançou sua primeira obra, intitulada Frutos Selvagens. O meio literário de São Luís vivia então um momento marcado pela mudança e pela ruptura. As forças da renovação artística, representadas principalmente por Antonio Lobo, insurgiam-se contra a herança da poesia fácil dos cultores do romantismo, movimento que ainda permanecia em voga entre os poetas locais.

A estréia de Inácio Xavier de Carvalho em livro, contribuiu para inaugurar uma nova fase na literatura maranhense, embora tenha ele próprio causado certa reação entre os renovadores da Oficina dos Novos por conta de sua inclinação para o simbolismo, visto por alguns destes como uma escola decadente e estéril.

Cultor do soneto e detentor de grande domínio técnico,  Xavier de Carvalho foi um poeta suave, impregnado pelo verso simbolista, contido, mas também parnasiano em muitas passagens, o que certamente contribuiu para dar corpo ao equívoco crítico de considerá-lo um romântico tardio. Na verdade, ele foi, antes de tudo, um artista perfeitamente integrado à corrente poética de seu tempo, marcada pela difícil convivência entre o parnasianismo e o simbolismo.
Político por vocação e gosto, Inácio Xavier de Carvalho viajou por Minas Gerais, Amazonas e Pará no exercício da magistratura, cedo perdendo contato com o Maranhão, para onde jamais regressou. Embora tenha permanecido bastante ativo, publicando periodicamente em jornais, consta que sua última obra, Parábolas e Parabolas, data de 1919.
Morreu no Rio de Janeiro em 17 de maio de 1944. 


NOIVAS MORTAS

Essas que assim se vão, fugindo prestes,
De ao pé dos noivos, carregando-os n'alma,
Amortalhadas de capela e palma
demanda dos páramos celestes;

Essas que, sob o horror que a morte espalma,
Vão dormitar à sombra dos ciprestes
Em demanda dos páramos celestes
Amortalhadas de capela e palma;

Essas irão aos céus, de olhos risonhos,
Por entre os Anjos, pelas mãos dos Sonhos,
De asas flaflando em trêmulos arrancos,

De Alvas Grinaldas pelas tranças frouxas
De olhos pisados e de olheiras roxas,
Todas cobertas de Pecados Brancos.


** ** **

VOLTA


Por desertos, por íngremes terrenos,
Fui um dia aos serões desta Ansiedade
Ver se ainda ouvia um só gorjeio ao menos
Do bando exul das aves da Saudade...

Debalde eu fui! O horror da tempestade
Tombando como pérfidos venenos
Dos amplos céus de minha Mocidade
Matara de uma vez todos os trenos...

Do alma horizonte pelas grandes curvas
Vi apenas milhares de aves turvas
Numa expansão dantesca de asas tortas...

E eu voltei... E ao chegar da casa em frente
Vi cair, aos meus olhos de Doente,
Um triste bando de andorinhas mortas!


** ** **
 EU!


(Aos que me não compreendem)

Vamos, pobre infeliz! Muda em asas teus braços!
Desfere o vôo teu, no anseio profundo,
Para o local que houver mais alto nos espaços,
Para o trecho do céu mais distante do mundo!

E uma vez lá chegando, errante e vagabundo,
Desta vida cruel liberta-te dos laços
E atira-te, a cantar, do precipício ao fundo...
Quero ver-te cair dividido em pedaços!

Morre como um herói! Deixa que o Meio brama!
Fecha o ouvido ao Elogio e os olhos fecha à Fama
E despreza da Inveja as pérfidas alfombras...

E morre, coração! Pois, ao morrer, enquanto
Tens Injustiças de uns, tens bênçãos de outro tanto...
– Morrerás como o Sol – entre Luzes e Sombras!


Eliana (Shir) Ellinger


Fontes de pesquisa:



CARLOS PENA FILHO



CARLOS PENA FILHO

(1929 - 1960)
Filho de pais portugueses, Carlos Souto Pena e Laurinda Souto Pena, foi um poeta brasileiro considerado um dos mais importantes poetas pernambucanos na segunda metade do século XX, depois de João Cabral de Melo Neto.
Em 1937, com a separação dos pais, mudou-se para Portugal junto com a mãe e irmãos, Fernando e Mário, indo morar na casa dos avós paternos.  Lá viveu dos oito aos doze anos de idade, quando retornou ao Brasil.
Carlos Pena Filho fez o curso primário enquanto esteve em Portugal e o curso secundário no Recife. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, em frente à qual hoje se encontra o busto do poeta.
Em sua homenagem,
a escultura na Praça
da Independência.
Como advogado atuou na repartição do Estado e, em paralelo, trabalhou como jornalista no Diário de Pernambuco e Jornal do Commercio, onde fez reportagens, escreveu crônicas e publicou alguns de seus poemas.
Durante a vida contou com a amizade e admiração de muitos escritores e poetas de renome. Conviveu estreitamente com Manuel Bandeira, Joaquim Cardoso, João Cabral de Melo Neto, Moura Mota, Gilberto Freyre e Jorge Amado, dentre outros.
Carlos Pena Filho faleceu aos 31 anos, vítima de um acidente de carro ocorrido em 2 de junho de 1960, no Recife.
Sua obra poética é de um lirismo envolvente, com uma imagem plástica onde se destaca a cor, o movimento e a luz. Escreveu vários poemas, tendo nos títulos a palavra 'retrato' e cerca de uma centena contendo os nomes das cores ou referências a elas. Dentre outras, possuia forte interesse no Azul, a ponto de alguns poemas afirmarem que se trata de uma "poesia vestida de azul". Seu primeiro trabalho como poeta, o soneto "Marinha", foi publicado em 1947 pelo Diário de Pernambuco. Em 1952, publicou o primeiro livro: "Tempo da Busca".
Ainda estudante, publicou "Memórias do Boi Serapião", em 1956. Bacharelou-se em 1957 e no ano seguinte seu terceiro livro "A Vertigem Lúcida", premiado pela Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco. Em 1959, o "Livro Geral", reunindo sua obra poética já editada  acrescida de poemas novos (Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro).
Compositor, em parceria com Capiba, renomado músico pernambucano, foi autor de letras de músicas de sucesso, entre as quais destaca-se "A mesma rosa amarela", incorporada ao movimento de Bossa Nova na voz de Maysa.
SONETO OCO
Neste papel levanta-se um soneto
de lembranças antigas sustentado,
pássaro de museu, bicho empalhado,
madeira apodrecida de coreto.
De tempo e tempo e tempo alimentado,
sendo em fraco metal, agora é preto.
E talvez seja apenas um soneto
de si mesmo nascido e organizado.
Mas ninguém o verá? Ninguém. Nem eu,
pois não sei como foi arquitetado
e nem me lembro quando apareceu.
Lembranças são lembranças, mesmo pobres,
olha pois este jogo de exilado
e vê se entre as lembranças te descobres.
** ** **
PARA FAZER UM SONETO
Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere um instante ocasional
neste curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial.
Aí, adote uma atitude avara
se você preferir a cor local
não use mais que o sol da sua cara
e um pedaço de fundo de quintal.
Se não procure o cinza e esta vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse
antes, deixe leva-lo a correnteza.
Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza,
ponha tudo de lado e então comece.





Eliana (Shir) Ellinger

Fontes de pesquisa:

quinta-feira, 30 de abril de 2015

CARLOS MAGALHÃES DE AZEREDO



CARLOS MAGALHÃES DE AZEREDO
(1872 - 1963)
 
 
Carlos Magalhães de Azeredo, filho de Caetano Pinto de Azeredo e Leopoldina Magalhães de Azeredo,  nasceu no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 1872, e faleceu em Roma em 4 de novembro de 1963.
Jornalista, contista, poeta e ensaista, foi um dos dez intelectuais convidados para integrar o quadro dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Escolheu para patrono Domingos Gonçalves de Magalhães, a quem coube a Cadeira nº 9. Foi o mais novo dos fundadores e o último deles a falecer com 91 anos de idade.
Fez as primeiras letras no Colégio de São Carlos, no Porto, Portugal, de 1879 a 1880, continuando seus estudos no Colégio São Luís, de Itu, São Paulo, até 1887.
Cursou a Faculdade de Direito de São Paulo, na qual se bacharelou em 1893. Ingressou na carreira diplomática em 1895, ocupando os seguintes cargos: Segundo Secretário da Legação do Brasil no Uruguai 1895/96) e na Santa Sé (1896-1901); promovido a Primeiro Secretário em 1901 e Conselheiro rm 1911; Ministro residente em Cuba (1912) e na Grécia (1913/14); Ministro plenipotenciário na Santa Sé (1914/19) e Embaixador na mesma (1919/34). Atingindo esse posto máximo da carreira de diplomata, Magalhães de Azeredo aposentou-se, porém,  continuando a residir em Roma.
Sua vida diplomática fora do Brasil, prejudicou-lhe o contato com as novas gerações literárias, embora tivesse se dedicado desde cedo às letras. Aos 12 anos escreveu um pequeno volume de versos, "Inspirações de Infância",  que ficou inédito.

Estudante, colaborou em diversos jornais de São Paulo e do Rio, onde residiu antes de seguir para Montevidéu, em função diplomática.




Em 1895, publicou Alma Primitiva, em prosa e, em 1898, Procelárias, seu primeiro livro de poesias.
Vivendo a maior parte do tempo no Exterior, manteve-se em contato com Machado de Assis e Mário de Alencar, através de incontável correspondência, que se encontra guardada no Arquivo da Academia Brasileira de Letras.



 Tinha ele 17 anos quando dirigiu a Machado de Assis a sua primeira carta. Logo o mestre lhe reconheceu o valor como poeta. Passando o tempo, fez mais o grande romancista: pôs nas cartas que lhe dirigiu as suas principais confidências de escritor, numa prova de confiança que não dera a outro amigo. Essa correspondência foi reunida pelo professor americano Carmelo Virgilio e publicada, em 1996, pelo Instituto Nacional do Livro. A correspondência que ele entreteve com Mário de Alencar, além de interessar à biografia dos dois escritores, diz respeito igualmente ao espaço de vida literária brasileira, demarcado pela extensão dos seus diálogos. Magalhães de Azeredo também pertencia ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, à Academia Internacional de Diplomacia e ao Instituto de Coimbra.


 
O CHANCELER
 
 O velho chanceler é triste e carrancudo;
Sobre o peito, cismando, a calva fronte inclina,
E apoia a forte mão, que exércitos domina,
No seu melhor amigo - um grande cão felpudo.
 
Dir-se-ia Fausto ancião, que, concentrado e mudo,
Devorando o amargor da dúvida que o mina,
Mergulha o frio olhar pela opaca neblina,
Que, na terra e no céu, vai envolvendo tudo...
 
Que idéia agita a mente do ministro?
O passado? o remorso? a tirania? a glória?
Um plano de vingança? um combate sinistro?
 
Silêncio! Ele contempla uma visão estranha:
 Ve surgir, um por um, dentre as sombras da história,
 Os vultos colossais das lendas da Alemanha...
 
** ** **
 
 AFINIDADES
 
A ânfora equilibrando, com graça real, na cabeça,
vai a jovem Romana pelo pórtico umbroso.
 
Pura pobreza veste-a, do leve corpete as sandálias:
mas que tesouro as formas! Nos gestos de harmonia!
 
No portico ergue os olhos, passando, a uma graga Afrodite,
e por instinto sente: Somos da mesma raça...
 
** ** **
 
DESPEDIDA
 
 Não me coroes, Alma querida, de rosas: o encanto
da Juventude é efêmero; e a minha é quase extinta.
 
Também não me coroes de louros: a Glória não fala
ao coração, nem o ouve, passa, longínqua e fria.
 
Coroa-me das heras, que abraçam as graves ruínas:

são da humanidade símbolo, e da tristeza eterna... 




Eliana (Shir) Ellinger
 
Fontes de pesquisa:

ANTONIO FRANCISCO DA COSTA E SILVA


DA COSTA E SILVA
( 1885 - 1950)
 
 
Antônio Francisco da Costa e Silva, poeta brasileiro, é o autor do hino do Estado em que nasceu,  Piauí (Cidade de Amarante). Formou-se pela Faculdade de Direito do Recife. Foi funcionário do Ministério da Fazenda, tendo ocupado os cargos de Delegado do Tesouro no Maranhão, no Amazonas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Viveu não só na capital desses Estados, mas também, por mais de uma vez, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
Exerceu função pública na Presidência da República do Brasil, entre 1931 e 1945, a pedido do então presidente Getúlio Vargas.
Começou a compor versos por volta de 1896, tendo seus primeiros poemas publicados em 1901. Pertenceu à Academia Piauiense de letras, Cadeira 21, cujo patrono é o padre Leopoldo Damasceno Ferreira.
 
             


Antônio Francisco da Costa e Silva foi um grande poeta que conquistou diferentes pessoas com seu jeito harmonioso de ser. Sua extraordinária obra oscilou entre o parnasianismo e o simbolismo, mas sempre com um estilo próprio inconfundível.
Recolheu-se ao silêncio, demente, em 1933 e veio a falecer em 29 de junho de 1950.
 

IN TENEBRIS
 
Cego, tateio em vão, num caminho indeciso...
Que é feito desse amor que tanto me entristece,
Que nasceu de um olhar, germinou num sorriso,
Que viveu num segredo e morreu numa prece?!
 
É um mistério talvez; desvenda-lo preciso.
A alma sincera e justa - odeia, não esquece...
Si essa a quem tanto quiz hoje me não conhece.
Morra a ventura vã que debalde idealiso.
 
Ai! desse amor nasceu a dor que me subjuga:
A dor me fez verter a lágrima primeira,
E a lágrima, a brilhar, cava a primeira ruga...
 
Atra desilusão crava-me a garra adunca.
Cego de amor, em vão tateio a vida inteira,
Buscando o amor feliz e esse amor não vem nunca.
 
 

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SAUDADE

 
Saudade! Olhar de minha mãe rezando,
E o pranto lento deslizando em fio...
Saudade! Amor da minha terra...O rio.
Cantigas de águas claras soluçando.
 
Noites de junho...O caburá com frio
Ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando...
E, ao vento, as folhas lívidas cantando
A saudade imortal de um sol de estio.
 
Saudade! Asa de dor do pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento...
As mortalhas de névoa sobre a serra...
 
Saudade! O Parnaíba - velho monge
As barbas brancas alongando...E, ao longe,
O mugido dos bois da minha terra...
 

 
Eliana (Shir) Ellinger

 
Fontes de pesquisa: